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Discurso de Prem Rawat na Universidade da Califórnia, Berkeley - Excerto
Excerto de um discurso de Prem Rawat na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Encontrar o equilíbrio

Eu viajo por todo o mundo, mas não o faço para ver os países. Nunca vi um lugar a que pudesse chamar país. O que eu vejo são pessoas. Podemos relacionar-nos através da nossa língua, da nossa cultura ou da nossa religião, mas na essência somos iguais. Temos a mesma aspiração. Todos queremos paz nas nossas vidas.
Temos milhares de explicações para a guerra, mas nem uma para termos paz. Temos aqui um problema. No que diz respeito à guerra, há uma participação muito activa. Fabricam-se novas armas e treinam-se pessoas para as utilizar.
Em relação à paz, ficamos à espera que as nuvens se abram ou de um truque de varinha mágica - para que então possa existir paz na Terra. Não percebo. Se a guerra exige uma participação activa, como realmente acontece, então a paz também exige uma participação activa. E essa participação activa não vai acontecer por se fazerem muitos debates. É uma questão de se descobrir e olhar para a realidade das pessoas, para aquilo que as pessoas querem, sejam elas ricas ou pobres. Aprendemos acerca das diferenças que existem entre as pessoas, mas não aprendemos a ver noutro ser humano alguém como nós.
Esquecemos a nossa natureza e o tesouro que nos foi dado - e não podemos permitir-nos fazer isso. Não podemos esquecer que o nosso coração está a chamar-nos todos os dias e a dizer: “Está em paz, sente a alegria, porque essa é uma realidade que pode acontecer.”
Isto implica uma participação activa, que começa por reconhecermos a nossa própria sede. Assim que reconhecemos a nossa sede, a água torna-se importante. Que tipo de sede é esta? A sede que diz: “Compreende a preciosidade da vida, de cada respiração.” Como é que isso acontece? É como aprender a andar de bicicleta. Montamos na bicicleta e dizem-nos para pedalar, para olhar em frente, para nos equilibrarmos, mas não conseguimos isso tudo e caímos. Depois chega o momento em que conseguimos. Partimos e não olhamos para trás. A partir desse instante, adquirimos o nosso sentido de equilíbrio.
É disto que estou a falar: adquirir esse sentido de equilíbrio na nossa vida. A mesma coisa que diz “Entra em contacto com o teu próprio ser” ou, como disse Sócrates, “Conhece-te a ti próprio.” Façam isso. O facto de encontrarem esse equilíbrio na vossa vida faz toda a diferença.
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